Igreja São Jorge

04/08/2017

A Igreja Matriz de São Jorge está situada no centro da cidade de Ilhéus, à rua Antônio Lavigne de Lemos. Sua fachada lateral direita está voltada para a Praça Rui Barbosa, que se abre para o mar. Do alto de sua torre era possível contemplar bela vista panorâmica da cidade, e, um pouco adiante, a Catedral de São Sebastião. Segundo relatório do IPAC, a igreja "tem sua volumetria e ambiência prejudicadas por anexos com telhados de fibrocimento e construções, em volta, de mau gosto" (1988, p. 223).

O belo monumento é do final do século XVII e tem área construída de 670 m2. É uma Igreja de relevante interesse histórico e arquitetônico, com nave, capela-mor, corredor e lateral, sacristia e torre, do lado esquerdo. A fachada tem dois corpos, sendo o principal, emoldurado por cunhais e cornija, e vazado por bela portada, ladeada por duas portas, no térreo, e duas janelas ao nível do coro. A torre possui terminação piramidal e coruchéus nos cantos e arco pleno. Os cunhais, as cornijas e as cercaduras de portas, as janelas e as seteiras são em cantaria. No interior possui arco cruzeiro, nichos e bacia de púlpito também em arenito. O forro dos cantos é redondo, na nave, e em abóbada abatida, na capela-mor. O altar-mor, neoclássico, está incompleto.

Entre as imagens da igreja, destacam-se as de São Jorge, um crucifixo, Nossa Senhora do Rosário e São Pedro. Na sacristia e no corredor lateral, utilizado como Museu de Arte Sacra, existem algumas peças de mobiliário, uma imagem de São Miguel, de Nossa Senhora das Neves (séc. XVI), Santo Antonio, Santo Inácio e São Caetano (séc. XVII), e alfaias de prata.

Dados tipológicos: Igreja de construção apurada, originária do final do séc. XVII. São típicas deste período as cercaduras com ressaltos nos cantos e a torre piramidal, utilizada pela primeira vez no Convento de Cairu (1660). Cercaduras semelhantes são encontradas em Sta. Tereza, Casa de Oração dos Jesuítas, solares Berquó e Sete Mortes, em Salvador, e na Igreja de São Brás, em Santo Amaro. Outra disposição arcaica está nos dois nichos laterais ao arco cruzeiro, observado também, no Colégio de Olinda, e igrejas de Ajuda e Belém, em Cachoeira. Este elemento e o apuro da construção sugerem a intervenção de algum arquiteto jesuíta.

Histórico arquitetônico: Após a chegada dos primeiros portugueses e a fundação da vila de São Jorge, Francisco Romero fixou a povoação no morro de São Sebastião. Com o passar do tempo, a povoação desceu o morro em direção à baixada. Em 1556 foi criada a Freguesia de São Jorge, por Dom Pero Fernandes Sardinha.

Restaurações e intervenções realizadas: entre os anos de 1912 e 1916, no curso das obras de modernização da cidade, empreendidas pela administração municipal do coronel Pessoa, é demolida a Sacristia direita da igreja. Na década de 1950 são construídos, anexos à igreja, um salão com laje de concreto e telhado de fibrocimento. (IPAC, 1988, p. 224).

No início do século, para alargamento de uma rua, foi demolida a sacristia direita da igreja. Seu partido primitivo era, portanto, a planta em "T", característica do mesmo século. Em meados do século XVIII, a igreja teria sofrido, segundo alguns autores, intervenções em sua fachada. Estas modificações devem ter consistido na construção do atual frontão e na transformação das duas janelas laterais à portada em portas, como ainda hoje restam vestígios. O amplo corredor lateral é da década de 1950.

Em 4 de outubro de 1970 foi colocada uma placa comemorativa da restauração da igreja, com agradecimentos aos donativos de Jerônimo Francisco Ferreira e à orientação técnica e artística do arquiteto Luis Osório Amorim de Carvalho. Durante as obras foram descobertos alguns nichos de cantaria, que estavam tapados.

A Igreja Matriz de São Jorge pode ser considerada o mais importante monumento histórico localizado na sede do município. São Jorge é um dos padroeiros da cidade. A igreja está relativamente bem conservada, são realizadas missas normalmente, mas o clima local costuma danificar com muita facilidade os prédios, exigindo frequentes restaurações. No museu localizado na sacristia da igreja, encontram-se algumas peças antigas de valor, inclusive um São Jorge sem cavalo, fato raro. O Museu de Arte Sacra, localizado ao lado da igreja, possui peças belíssimas, antigas e raras, mas nem sempre fica aberto ao público por falta de segurança.

A Igreja de São Jorge é o mais belo monumento erguido na Vila de São Jorge, no tempo do Brasil Colonial. E o calçamento da rua Antonio Lavigne de Lemos é muito especial. 

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